A busca por melhores condições de vida, consumo e lazer pela população não deve ser recebida com incômodo ou cobrança pela esquerda, mas sim como o verdadeiro motor para a disputa ideológica no país. O diagnóstico foi feito pelo ex-ministro Zé Dirceu durante participação no programa TVGGN 20 Horas, conduzido pelo jornalista Luis Nassif na última terça-feira [confira abaixo].
Ao rebater a postura de quem se frustra quando a população beneficiada por políticas sociais cobra ainda mais do governo, Dirceu enfatizou que o desejo de ascensão é legítimo. A diferença, segundo ele, está na resposta que se dá a essa demanda: enquanto a direita vende a ilusão do “empreendedorismo sem direitos” e culpa o Estado, a esquerda precisa disputar as soluções reais, garantindo proteção social e formas de organização para o trabalho autônomo.
“Nunca devemos colocar: ‘Pô, mas o Lula fez tanto e o pessoal reclama’. Ainda bem que o povo reclama e quer prosperar! Quer dizer que o pessoal quer melhorar as condições de vida, quer prosperar. Nós não temos que ser contra que as pessoas queiram prosperar — pelo contrário, temos que falar: ‘Não, tá certo, tem que lutar’. Agora, nós temos que disputar as causas e as soluções.”
A ilusão do “Uber empreendedor” e a busca por direitos
Para o ex-ministro, a narrativa promovida pela direita de que o trabalhador por aplicativo é um “empresário de si mesmo” cai por terra na primeira jornada de trabalho. É a própria rotina exaustiva de entregadores e motoristas que desmascara a ilusão do empreendedorismo sem direitos, expondo na prática a necessidade premente de amparo social.
“Essa ideia de querer vender que o cara do Uber é um empreendedor e tudo isso, isso aí não pega. Você tem que ter formas de organização que são diferentes dos sindicatos tradicionais.”
“O problema todo é como equacionar os direitos. Se você olhar o motoboy hoje, e já é generalizado entre eles, eles querem o mínimo por quilômetro quadrado, que é o piso salarial. Já estão preocupados com a previdência, porque já faz 7, 8, 10 anos que estão nisso e já têm filhos. Estão preocupados com a saúde, porque tem acidentes, a mulher fica grávida. E trabalhar 8, 12, 14 horas significa que você vai viver 10, 15 anos a menos.”
O PT entendeu essa nova classe trabalhadora?
Questionado diretamente pelo jornalista Luis Nassif sobre se a esquerda e o Partido dos Trabalhadores têm clareza sobre essa mudança estrutural e as novas formas de organização, como o cooperativismo, Dirceu afirmou que o diagnóstico vem sendo assimilado no dia a dia, mas exige aprendizado constante na prática social.
“Temos clareza. Aos poucos fomos pela prática, pela vida real, com a vivência, fomos percebendo. Cada dia entende mais e mais. Inclusive a juventude. Hoje tem uma juventude no Brasil que tem celular, tem moto, compra roupa, quer lazer, quer fim de semana para descansar, quer estudar, quer ter acesso à tecnologia — e o governo tem que se dirigir para isso.”
Ao resgatar os movimentos históricos de organização das categorias terceirizadas nas décadas de 1980 e 1990, o ex-ministro rebateu o discurso conservador de que as lutas de classes desapareceram. Contudo, advertiu que tanto o PT quanto o movimento sindical precisam passar por uma autorreforma urgente para não serem atropelados pelo ritmo da história.
“Essa ideia de que os motoboys, que o pessoal do Uber vai aceitar isso para sempre e não vai haver luta… isso não existe! A direita fica pondo que não existe mais classe trabalhadora. (…) Mas isso depende de uma autorreforma nossa, começando pelo PT. Nós temos que mudar. O mundo é outro, o Brasil é outro, a juventude é outra, tá tudo mudando. Os partidos têm que mudar. Cadê o MDB? Cadê o PSDB? A roda da história vai girando. Se você não acompanha e não estuda a realidade, é engolido. Nada como andar pelo país para compreender o país e ter humildade para aprender.”
Assista ao corte na TV GGN:
OoutroZÉpomto
23 de julho de 2026 4:09 pmEsse zé é o dito revolucionario do pacto do.acirdo.ejntre as elites politicas,emoresariais,sociais e etc???Aff !!!FALHOU!!!Tomou goloe foi preso e etc…Seu.tempo de protagonista já passou,tem boas ideia mas saiu da cadeia do nada pregando acordo pacto e quem vive tomando na cabeça é dilmalulapt aff INCESSANTEMENTE os bilionários mimados querem destruir a todos e isso num contexto de setor financeiro e cokgresso com as chaves dos.cofres públicos nadando em um oceani de dinheiro aff e intimifando as instâncias mais altas e superiotes do judiciario brasileiri aff !!!
Pedro Rocha
24 de julho de 2026 8:30 am“…compreender o país e ter humildade para aprender…” O que o PT menos tem vontade é justamente de aprender. Em algum momento, lá atrás quando assumiu prefeituras importantes pelo país, Patrus em BH, Erundina e Marta em SP, Tarso Genro em POA, Telma em Santos, o partido ainda era uma instituição vívida, corajosa. Foi aos poucos se acomodando no poder, seus quadros vestem “mangas de camisa”, para ficar nas palavras do Professor Aldo. A história foi tão cruel com esse país triste que a derrota para o Aécio em 2014 seria ótimo para revigorar ideias e práticas na instituição. Agora, tente explicar isso…
César Rocha
24 de julho de 2026 10:43 amJosé Dirceu deveria ter a decência de se evadir da política. Não esqueçamos que foi ele o “estrategista” artífice da aliança do PT com setores empresariais da direita, eufemesticamente chamados “centro-direita” na busca do poder central da República. A mesma “centro-direita”, cujo longo braço parlamentar – “centrão” – destituiu a presidente Dilma através de um golpe parlamentar. Defenestrado do Governo, após o episódio do Mensalão, onde fora personagem central, tornou-se um milionário “consultor” para grandes empresas nacionais e estrangeiras de assuntos políticos e também ecônomicos, mesmo sem possuir expertise nesse campo, certamente somente por possuir “memória” de informações decisórias da lógica de poder do estamento governamental. Mesmo antes da eleição do Lula presidente, Zé Dirceu controlava com “mão-de-ferro” a “máquina” partidária do PT. A análise praxistica, de uma perspectiva histórica, evidencia que o “virus” do “acordismo” que o Lula incorporou e fragilizou o PT no imagionário das lutas por pautas sociais e populares com o objetivo mais amplo da Justiça Social, tem em José Dirceu, o formulador estratégico. Em síntese: pode-se imputar a ele, o fracasso político do projeto democrático-popular que visava um Brasil descente.